Dança originária do alto sertão pernambucano, conhecida em todo o agreste nordestino desde 1922, foi divulgada no interior pelo cangaceiro Lampião e os cabras de seu grupo. Seu nome é uma onomatopéia do chiado das sandálias sendo arrastadas no chão – xá-xá-xá. É provável que tenha se originado do parraxaxá, canto de guerra dos cangaceiros,.

É dançada em círculo ou em fila indiana. Utiliza passos sem volteios, dentre os quais se destaca o corta-jaca, como é chamado o movimento em que o pé direito cruza o esquerdo num rápido e deslizante sapateado. Em sua forma original apresentava apenas música vocal, o som dos bacamartes e o chiado das alpercatas, que eram usadas também como instrumentos de percussão, com o tempo forte do compasso acentuado por uma pancada da coronha do rifle contra o chão. Depois, o baião ficou sendo o gênero musical oficial do xaxado.

O xaxado não chegou a se tornar dança de salão, pois, divulgada por cangaceiros, não permitia a atuação feminina. Nas moitas da caatinga do sertão, os cangaceiros, eternos fugitivos a se esconder, esqueciam os rigores da vida cantando e dançando. As mulheres do bando eram poucas, e homem não dançaria com homem. Por isso, muitos dançavam abraçados ao fuzil, ou a sós, com os braços cruzados nas costas. Luís Gonzaga, cantor e instrumentista nordestino, um dos maiores pesquisadores e divulgadores do xaxado, dizia ser o rifle a dama da dança.

Sem a participação feminina, alcançou apenas os palcos-estúdios das estações de rádio e de televisão, o cinema e as revistas teatrais, sendo visto apenas como uma curiosidade coreográfica típica de cangaceiros. No rádio, o xaxado esteve em evidência no decênio de 1946-1956. As letras são de cunho satírico, agressivo, ou mesmo francamente belicoso.

Atualmente ele se transformou em baião, um dos gêneros do forró nordestino, ganhando os salões de festa e permitindo a participação das mulheres. Chapéus, alpercatas, embornais, rifles e vestimentas características dos cangaceiros compõem a indumentária da dança, lembrando as roupas usadas na época do cangaço