O Boogie-woogie surgiu a partir do blues no início do século XX, porém levou quase trinta anos para ser difundido entre o grande público americano. No entanto, quando este ritmo de estilo africano foi apresentado no Carnegie Hall, foi um estouro: durante alguns anos quase todas as músicas foram transformadas em boogie-woogie.
No início do século XX, alguns intérpretes de blues começaram a tocar piano de uma maneira inovadora, forte, simples e direta, baseada em padrões rítmicos e melódicos repetitivos, embora lamentavelmente não tenhamos exemplos de seu estilo.
O primeiro boogie gravado foi o Chicago Stomp, de Jimmy Blythe (1900-1931), em 1924, quando a dança ainda era conhecido como fast western, the crawl, the rocks, the fives ou the dozens. Em 1927 é gravado um dos títulos mais famosos: Honky Tonk Train Blues, interpretado por Meade Lux Lewis (1905-1964).
O nome boogie-woogie, tema indispensável para qualquer intérprete de boogies, e exaustivamente copiado. Em 1938, o templo da música clássica de Nova York, o Carnegie Hall, abre suas portas para o jazz e, subitamente o boogie craze (a loucura do boogie-woogie) é difundido em todo Estados Unidos. O ritmo deixa de ser um patrimônio dos músicos negros, e pianistas brancos como Freddie Slack ou Bob Zurke que introduziram algumas variações: basicamente escreviam novas letras e faziam arranjos de orquestra para adaptá-los às grandes big bands de Tommy Dorsey, Count Basie, Woodie Herman.
O boogie-woogie foi incorporado à música com uma força incomparável e é difícil distinguir o que foi mais influenciado, o boogie original ou as demais músicas que se adaptaram ao estilo como, por exemplo, o de uma obra clássica como Polonesas de Chopin, autor europeu exaltado pelos músicos negros criadores do ragtime, como Scott Joplin. Durante este processo aumentou também a velocidade da música , que perde parte do sentimento original e ressalta o aspecto rítmico: os intérpretes se entregam cada vez mais a exercícios de virtuosismo e o tempo é cada vez mais frenético. O boogie-woogie é um estilo fortemente percusivo no qual a mão direita do pianista toca riffs, frases repetitivas sincopadas, e todo tipo de recursos melódicos do blues, enquanto a mão esquerda toca um ostinato, motivo recorrente. Essa complexidade rítmica , que, com intérpretes habilidosos gera uma autêntica polirritimia, fez do boogie o estilo mais africano do jazz, o que alterou definitivamente o mapa da dança em todo o mundo, pois mesmo perdendo a popularidade após a Segunda Guerra Mundial, suas fórmulas originaram outras danças como o rock and roll