As diferentes danças têm pequenas particularidades estéticas nas quais reside o seu espírito: o vestuário, os passos e a forma de mover proporcionam um estilo coerente aos detalhes.

Nas danças européias como a valsa ou a mazurca, a atitude deve simbolizar elegância e postura aristocrática – o que não significa rigidez. A maior parte da estética dessas danças é de responsabilidade da mulher, pois principalmente na valsa deve conseguir fazer voltas que sejam ligeiras, fluidas, evitando as interpretações ou dúvidas. Estas regras não são aplicadas fielmente à mazurca, cujo ritmo bastante acentuado, exige passos mais marcados. A valsa lenta ou a inglesa é em muitos aspectos semelhante à vienense, porém sua lentidão tem uma finalidade: a possibilidade de incorporar mais movimento entre as diferentes coreografias, que devem ser sempre interpretadas, e jamais realizadas mecanicamente. Na valsa inglesa, essa lentidão também permite manter os pés mais distantes assim como dar passos maiores. Na mazurca- dança em três tempos, como nas duas valsas- a regra principal é dançar separado e distante, e nunca perto. Assim, a mulher apóia a palma da mão direita sobre a palma da mão esquerda do homem e realiza uma leve pressão, como que esfregando-a suavemente, para manter a distância. A mazurca é dançada em linha reta e as mudanças de direção são determinadas pelos quatro lados da pista. Por isso, é necessário levar em consideração que, se o par der passos muito longos em um salão pequeno, a quantidade de voltas será limitada. Evite dar vários giros consecutivos para que a dança não perca seu estilo. Diferentemente de outras danças, na mazurca não hesite em separar os passos ou fazer ruído no chão. As regras fundamentais das danças latinas podem ser resumidas em suavidade e claridade. Suavidade para os movimentos do corpo em geral, e claridade para as flexões dos joelhos e dos movimentos da pélvis, que obedecem sempre as pernas. O ritmo destas danças exige um acompanhamento pelo golpe dos pés no chão. Também são danças que permitem mais liberdade que as danças européias, sendo completamente alheias a pose aristocrática: os dançarinos que antes mantinham o olhar perdido, agora olham-se constantemente. A rumba, por exemplo, é uma dança que exige do corpo total liberdade de movimentos, sendo estes, ligeiramente acentuados e próximos. Como não é possível separar precisamente um movimento do outro, os dançarinos devem ter um sentido musical aguçado. É muito importante expressar a sensualidade dos movimentos, fazendo suaves círculos com a pélvis.

O vestuário clássico e o latino-americano

Para as danças européias é convenientes utilizar roupas elegantes: o homem veste traje clássico e a mulher saia comprida e esvoaçante. Na mazurca é importante que a roupa marque bem a cintura. As mulheres calçam sapatos de salto alto, porém não exagerado. Nas danças latino-americanas a roupa é mais informal: a roupa clássica é substituída por camisas e camisetas no vestuário masculino, e no feminino as saias são mais curtas e de cores vivas. A única exceção é para o tango, no qual o homem dança usando um clássico e a mulher uma saia comprida até o joelho com a cintura bem marcada para facilitar os passos e a execução dos diferentes movimentos. A cor da roupa deve ser escura e os saltos podem ser mais altos que nas demais danças.

Detalhes estéticos

Na valsa vienense, desliza o pé de maneira que não haja uma distinção explícita do momento em que está apoiado ou quando é deslocado, proporcionando leveza e homogeneidade ao passo. O maior risco que se corre é exagerar na flexão e nos estiramentos do joelho. No chá-chá-chá, os braços ficam soltos e expressam a personalidade do dançarinos. Procure fazer movimentos sinuosos com os quadris e os ombros, mas sem perder a elegância. A dança permite a separação dos dançarinos, mas isso não é desculpa para perder o compasso. O dançarinos de tango deve combinar a paixão e a rispidez com a elegância e a doçura. Os diferentes movimentos exigem sempre um espaço amplo. O mais importante é que os dançarinos estejam sempre próximos: se isto não ocorrer, a dança perde o espírito do tango e a execução dos movimentos é quase impossível. A mulher deve demonstrar a sensação de registrar os bruscos movimentos com que o homem a convida a segui-lo. As danças norte-americanas – swing, twist, rock and roll, entre outras – chegam a transformar-se em um exercício acrobático, com exceção do slow fox, onde os passos são decididos, energéticos, curtos e rápidos. A dança é um meio onde os dançarinos podem improvisar e inventar novos passos. Depois de aprender os passos básicos, o pior que você pode fazer é seguir as regras: todas estas danças surgiram com tendência à ruptura e à liberdade, e é necessário reproduzir este espírito cada vez que são dançadas.